Uma nova pesquisa sobre a ligação entre a morte de abelhas e os pesticidas reforça a necessidade de métodos alternativos de controle de pragas. De acordo com um estudo revisado por pares, realizado por pesquisadores da USC Dornsife e publicado na revista Nature Sustainability, 43% das abelhas morrem em áreas afetadas por pesticidas.
Embora as evidências sejam contraditórias sobre o estado das abelhas mais famosas, trazidas para as Américas pelos colonizadores europeus no século XVII, o declínio dos polinizadores nativos é evidente. Cerca de um quarto das espécies de abelhas selvagens estão "em perigo e com risco crescente de extinção", de acordo com um estudo de 2017 do Centro para a Diversidade Biológica, uma organização sem fins lucrativos, que relacionou a perda de habitat e o uso de pesticidas às mudanças climáticas. As mudanças climáticas e a urbanização são vistas como as principais ameaças.
Para melhor compreender as interações entre pesticidas e abelhas nativas, pesquisadores da USC analisaram 178.589 observações de 1.081 espécies de abelhas selvagens, extraídas de registros de museus, estudos ambientais e dados de ciências sociais, bem como de terras públicas e estudos sobre pesticidas em nível de condado. No caso das abelhas selvagens, os pesquisadores descobriram que “os impactos negativos dos pesticidas são generalizados” e que o aumento do uso de neonicotinoides e piretroides, dois pesticidas comuns, “é um fator chave nas mudanças nas populações de centenas de espécies de abelhas selvagens”.
O estudo aponta para métodos alternativos de controle de pragas como forma de proteger os polinizadores e o importante papel que desempenham nos ecossistemas e sistemas alimentares. Essas alternativas incluem o uso de inimigos naturais para reduzir as populações de pragas e a utilização de armadilhas e barreiras antes da aplicação de pesticidas.
Alguns estudos sugerem que a competição pelo pólen das abelhas é prejudicial às abelhas nativas, mas um novo estudo da USC não encontrou nenhuma ligação significativa, afirma a autora principal do estudo e professora de ciências biológicas e biologia quantitativa e computacional da USC, Laura Melissa Guzman. Ela reconhece, porém, que mais pesquisas são necessárias para comprovar essa hipótese.
“Embora nossos cálculos sejam complexos, grande parte dos dados espaciais e temporais são aproximados”, reconheceu Guzman em um comunicado à imprensa da universidade. “Planejamos aprimorar nossa análise e preencher as lacunas sempre que possível”, acrescentaram os pesquisadores.
O uso generalizado de pesticidas também é prejudicial aos seres humanos. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) constatou que alguns pesticidas, especialmente organofosforados e carbamatos, podem afetar o sistema nervoso, enquanto outros podem afetar o sistema endócrino. Cerca de 450 milhões de quilos de pesticidas são usados anualmente nos Estados Unidos, de acordo com um estudo de 2017 do Centro de Ciências Aquáticas de Ohio-Kentucky-Indiana. Em abril, a revista Consumer Reports afirmou ter constatado que 20% dos produtos americanos continham pesticidas perigosos.
Data da publicação: 02/09/2024



