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Qual é a situação atual e as perspectivas do comércio agrícola entre a China e os países da América Latina e Caribe?

I. Visão geral do comércio agrícola entre a China e os países da América Latina e Caribe desde a entrada na OMC

De 2001 a 2023, o volume total de comércio de produtos agrícolas entre a China e os países da América Latina e Caribe (ALC) apresentou uma tendência de crescimento contínuo, passando de US$ 2,58 bilhões para US$ 81,03 bilhões, com uma taxa média de crescimento anual de 17%. Dentre esses produtos, o valor das importações aumentou de US$ 2,40 bilhões para US$ 77,63 bilhões, um aumento de 31 vezes; as exportações aumentaram 19 vezes, passando de US$ 170 milhões para US$ 3,40 bilhões. Nosso país encontra-se em situação de déficit no comércio de produtos agrícolas com os países latino-americanos, e esse déficit continua a aumentar. O vasto mercado consumidor de produtos agrícolas em nosso país tem proporcionado grandes oportunidades para o desenvolvimento da agricultura na América Latina. Nos últimos anos, um número crescente de produtos agrícolas de alta qualidade da América Latina, como cereja chilena e camarão branco equatoriano, tem entrado em nosso mercado.

De modo geral, a participação dos países latino-americanos no comércio agrícola da China expandiu-se gradualmente, mas a distribuição entre importações e exportações permanece desequilibrada. De 2001 a 2023, a proporção do comércio agrícola entre a China e a América Latina no total do comércio agrícola chinês aumentou de 9,3% para 24,3%. Dentre esses, as importações agrícolas da China provenientes de países latino-americanos representaram uma parcela do total de importações que passou de 20,3% para 33,2%, enquanto as exportações agrícolas da China para países latino-americanos representaram uma parcela do total de exportações que subiu de 1,1% para 3,4%.

2. As características do comércio agrícola entre a China e os países da América Latina e Caribe.

(1) Parceiros comerciais relativamente concentrados

Em 2001, Argentina, Brasil e Peru foram os três principais países importadores de produtos agrícolas da América Latina, com um valor total de US$ 2,13 bilhões, representando 88,8% do total das importações de produtos agrícolas da região naquele ano. Com o aprofundamento da cooperação comercial agrícola com os países latino-americanos, nos últimos anos, o Chile ultrapassou o Peru e se tornou o terceiro maior importador de produtos agrícolas da América Latina, enquanto o Brasil ultrapassou a Argentina e assumiu a liderança. Em 2023, as importações chinesas de produtos agrícolas do Brasil, Argentina e Chile totalizaram US$ 58,93 bilhões, representando 88,8% do total das importações de produtos agrícolas da América Latina naquele ano. Desse total, a China importou US$ 58,58 bilhões em produtos agrícolas do Brasil, o que corresponde a 75,1% do total das importações de produtos agrícolas da América Latina e a 25% do total das importações chinesas de produtos agrícolas. O Brasil não é apenas a maior fonte de importações agrícolas da América Latina, mas também a maior fonte de importações agrícolas do mundo.

Em 2001, Cuba, México e Brasil eram os três principais mercados de exportação agrícola da China para os países da América Latina e Caribe (ALC), com um valor total de exportação de 110 milhões de dólares americanos, representando 64,4% do total das exportações agrícolas chinesas para esses países naquele ano. Em 2023, México, Chile e Brasil eram os três principais mercados de exportação agrícola da China para os países da América Latina, com um valor total de exportação de 2,15 bilhões de dólares americanos, representando 63,2% do total das exportações agrícolas daquele ano.

(3) As importações são dominadas por oleaginosas e produtos pecuários, e as importações de grãos aumentaram significativamente nos últimos anos.

A China é a maior importadora mundial de produtos agrícolas e tem uma enorme demanda por produtos agrícolas como soja, carne bovina e frutas provenientes de países da América Latina. Desde a entrada da China na OMC, a importação de produtos agrícolas da América Latina tem se concentrado principalmente em oleaginosas e produtos pecuários, e a importação de cereais aumentou significativamente nos últimos anos.

Em 2023, a China importou US$ 42,29 bilhões em oleaginosas de países da América Latina, um aumento de 3,3%, representando 57,1% do total das importações de produtos agrícolas desses países. As importações de produtos pecuários, produtos aquáticos e cereais foram de US$ 13,67 bilhões, US$ 7,15 bilhões e US$ 5,13 bilhões, respectivamente. Dentre esses, a importação de produtos à base de milho atingiu US$ 4,05 bilhões, um aumento de 137.671 vezes, principalmente devido à entrada do milho brasileiro no sistema de inspeção e quarentena da China. O grande volume de importações de milho brasileiro alterou o padrão de importações de milho, anteriormente dominado pela Ucrânia e pelos Estados Unidos.

(4) Exportar principalmente produtos aquáticos e vegetais

Desde a adesão da China à OMC, a exportação de produtos agrícolas para os países da América Latina e Caribe tem sido principalmente de produtos aquáticos e hortaliças. Nos últimos anos, a exportação de grãos e frutas tem aumentado de forma constante. Em 2023, as exportações chinesas de produtos aquáticos e hortaliças para os países latino-americanos foram de US$ 1,19 bilhão e US$ 6 bilhões, respectivamente, representando 35% e 17,6% do total das exportações de produtos agrícolas para esses países.


Data da publicação: 30 de agosto de 2024