bg

O Brasil está buscando suprimentos emergenciais de fertilizantes da Rússia, China e Marrocos.

O governo federal brasileiro criou um comitê de resposta a crises para garantir o fornecimento de matéria-prima necessária para a produção de fertilizantes fosfatados na safra 2026/27. Diplomatas brasileiros têm mantido consultas com os principais fornecedores de fertilizantes do país – Rússia, China e Marrocos – e estão dispostos a comprar a preços de mercado para assegurar o abastecimento.

Essa preocupação reflete a forte dependência do Brasil em relação à importação de fertilizantes. As tensões geopolíticas e a atual situação do mercado global de fertilizantes agravaram ainda mais essa vulnerabilidade.

t01f4e2dd8bd2b8507e

Em 2025, o consumo total de fertilizantes no Brasil foi de 491 milhões de toneladas, das quais 455 milhões de toneladas foram importadas. O valor total das importações foi de 14,5 bilhões de dólares, representando 92% da demanda interna. Em 2024, esse índice de dependência chegou a 97%. Segundo a Associação Brasileira da Agricultura e Pecuária (CNA), para a próxima safra, apenas 40% a 45% dos fertilizantes necessários foram adquiridos.

A Associação Brasileira de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert) e a Associação Nacional de Fertilizantes (Anda) alertaram o governo sobre a escassez de matérias-primas essenciais, como fertilizantes fosfatados, enxofre, ácido sulfúrico, etc. O Brasil depende quase que totalmente da importação para o seu consumo de enxofre, e as dificuldades de abastecimento levaram algumas usinas de processamento a reduzir a produção ou mesmo a interromper as atividades.

Nas negociações internacionais, este governo está avaliando a capacidade de produção disponível dos fornecedores e considerando a assinatura de um memorando de entendimento para garantir o fornecimento em caso de emergências.

Nos primeiros quatro meses de 2026, o volume de fertilizantes importados pelo Porto de Paranaguá diminuiu quase 45% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa queda reflete as dificuldades logísticas causadas pela guerra no Oriente Médio e a redução das margens de lucro dos importadores devido às altas taxas de juros.

t04aeb342235269cbf2

A China está em negociações com o Brasil sobre questões tarifárias. Especialistas acreditam que chegar a um acordo com a China é a solução alternativa mais promissora.

Devido à possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño, espera-se um aumento na demanda por fertilizantes, mas as dificuldades financeiras enfrentadas pelos agricultores podem limitar o volume de suas compras.

A CNA destacou que a dependência do Brasil em relação aos fertilizantes importados indica que, apesar do crescimento contínuo da demanda interna, a produção nacional estagnou.

De 2015 a 2025, o volume de entrega de fertilizantes no Brasil aumentou 63%, enquanto o volume de importação subiu 130%. A produção nacional manteve-se basicamente estável, oscilando entre 7,2 milhões e 9,1 milhões de toneladas.

Em 2025, os cinco maiores fornecedores de fertilizantes para o Brasil foram China, Rússia, Canadá, Marrocos e Egito. Esses cinco países, juntos, representaram 69% do total das importações.

Quando classificada por tipo de fertilizante, a dependência do Brasil em relação à importação é particularmente significativa. Para fertilizantes potássicos, chega a 98%; para fertilizantes nitrogenados, a 93%; e para fertilizantes fosfatados, a 57%. Os fertilizantes potássicos são considerados o ponto fraco do país devido à sua alta dependência de importações e ao grande volume de consumo.

O Brasil possui reservas de fosforita nos estados de Minas Gerais e Goiás. Em 2024, o complexo industrial e de mineração Serra do Salitre, da EuroChem Company, entrou em operação, com capacidade de produção anual de 1 milhão de toneladas de fertilizante fosfatado.

No entanto, o setor sofreu um duro golpe em 2026. Devido à crise global do enxofre – em que o preço do enxofre subiu mais de 1.100% – a Mosaic encerrou permanentemente suas fábricas em Araxá e Patrocínio e suspendeu temporariamente as operações em Tapira e Catalão.

O aumento acentuado nos preços do enxofre reflete principalmente o desequilíbrio entre oferta e demanda, problemas logísticos, a queda na produção dos principais fornecedores, bem como a crescente demanda na indústria de baterias para veículos elétricos e no setor industrial na Ásia.


Data da publicação: 09/07/2026