De acordo com o Relatório Mundial sobre Malária 2025 da Organização Mundial da Saúde, os casos de malária nas Américas aumentaram 15,7% entre 2015 e 2024.
A malária é uma doença transmitida pelo sangue, causada por mosquitos portadores do parasita Plasmodium. Apesar dos esforços para o controle de mosquitos, a malária continua prevalente em partes da América do Sul, Ásia e África. Em um artigo publicado em março na revista Science, Jacob Tennison e seus colegas examinaram a genômica populacional do Anopheles (Nyssorhynchus) darlingi, o principal vetor da malária na América do Sul. Os pesquisadores descobriram que o Anopheles darlingi está desenvolvendo resistência a inseticidas.
Tennessen e seus colegas sequenciaram os genomas de 1.094 mosquitos de seis países (Brasil, Colômbia, Guiana Francesa, Guiana, Peru e Venezuela). Eles encontraram variações genéticas recorrentes em populações vizinhas, particularmente em uma região de 150 kb que abrange seis genes que codificam o citocromo P450. Mutações nos genes P450 estão associadas à resistência a inseticidas piretroides, como observado em Anopheles funestus e Anopheles gambiae na África subsaariana.
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Os autores identificaram ainda essa mutação altamente seletiva como um polimorfismo no gene CYP6AA1, onde um alelo codifica treonina na posição 283 e o outro codifica lisina. Para testar se esse polimorfismo confere resistência a inseticidas em mosquitos, os pesquisadores capturaram 16 Anopheles darlingi selvagens e os trataram com deltametrina. Os resultados mostraram que os mosquitos portadores do polimorfismo treonina-lisina sobreviveram significativamente mais tempo do que aqueles homozigotos para treonina ou homozigotos para lisina. Assim, a população de Anopheles darlingi está atualmente passando por seleção para mutações que aumentam sua resistência à deltametrina.
Segundo o “Relatório Mundial sobre Malária 2025” da Organização Mundial da Saúde (OMS), os casos de malária nas Américas aumentaram 15,7% entre 2015 e 2024, sendo que Venezuela, Brasil e Colômbia respondem por 75% desses casos. Epidemiologistas da GlobalData preveem que, até 2026, o Brasil terá mais de 160 mil casos confirmados de malária e mais de 1,6 milhão de novos casos.
A chave para a erradicação da malária reside no controle vetorial. Os mosquitos do gênero Anopheles africanus desenvolveram resistência aos inseticidas piretroides, e essa resistência parece estar evoluindo independentemente em mosquitos do gênero Anopheles dulcis. À medida que a pressão evolutiva continua a impulsionar a resistência dos mosquitos, o controle populacional desses insetos se tornará cada vez mais desafiador, e a erradicação da malária, cada vez mais difícil. Portanto, deve-se priorizar outros mecanismos de controle vetorial e da doença.
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Data da publicação: 27 de maio de 2026



